A entrevista foi realizada pelos alunos:
Nadirce Martins
Renato Canedo da Silva
Sandra Cláudia de Souza Bastos
Os entrevistados foram:
José Afonso Barbosa
Jaqueline de Oliveira Lima
Primeira Entrevista
José Afonso Barbosa, nasceu em Morrinhos, em 03 de outubro de 1949. É Poeta; Historiador; Romancista; Primeiro Presidente e Membro Fundador da Academia Morrinhense de Letras; Secretário de Esporte Turismo e Lazer - 2002; Diretor do Departamento de Cultura - 2002/2004; Superintendente Municipal de Cultura - 2005/2008.
Alunos: O patrimônio cultural brasileiro é um dos mais ricos do mundo, porém não existe uma política de inclusão ou de participação da população para conscientizar a todos da importância de preservar e entender a cultura brasileira. Pensando nesse aspecto, se cada cidade, cuidar e levar até a população local um pouco desse conceito é possível ajudar a preservar o patrimônio cultural brasileiro. Existe em nossa cidade, algum grupo ou órgão que busca levar até a comunidade o conceito e a importância de preservar e estudar a cultura brasileira?
José Afonso: Sim. Temos Academia Morrinhense de Letras, que zela pela preservação e divulgação da língua portuguesa e da cultura regional e nacional. Temos também a Sociedade de Arte Dramática e Literária que cuida do patrimônio cultural de nossa cidade. Temos ainda, a AMART, Associação Morrinhense de Arte, que cuida das artes plásticas de nosso município. Temos ainda o Conselho Municipal de Cultura, composto de treze membros, que tem o dever de zelar, divulgar e promover a cultura do município.
Alunos: Umas das maneiras de preservar o patrimônio cultural, contar a história de um povo seria os museus. A antiga cadeia municipal foi fundada recentemente pelo IPHAN como patrimônio histórico, e em 2004 foi transformado em museu municipal (Museu Antonio Correia Bueno). Existe uma política para se divulgar esse museu em nossa sociedade? Pesando numa ótica mais atual, é possível criar um arquivo histórico onde todos pudessem ter acesso fisicamente ou virtualmente aos dados históricos de nossa cidade e região?
José Afonso: O Museu Antonio Corrêa Bueno, fundado em 1996, conta um pouco da história de nosso município através de objetos de uso pessoal, mobiliário, fotos e documentos históricos, políticos e outros. Sua divulgação se dá mais nas escolas e universidades, tendo uma grande receptividade, pois o número de visitas anuais é muito grande. A divulgação se dá também em toda a comunidade morrinhense que o visita com assiduidade. Existe já um grupo de pessoas estudando a criação do Arquivo Histórico de Morrinhos, incluindo-se ainda o Museu da Imagem e do Som, o qual preservaria nossa história oral.
Alunos: Entre 17 de outubro a 21 de novembro de 1972, em Paris, foi realizada a CONFERÊNCIA GERAL da Organização das Nações Unida para a Educação, a Ciência e a Cultura. Um dos termos da conferência foi sobre a preservação do Patrimônio Cultural e Natural de todo o mundo. Depois de definirem os diversos tipos de patrimônios a serem preservados, ficou a cargo de cada nação, delimitar os seus próprios bens criando as políticas de preservação. Pensando numa mesma ótica, existe uma política local para a preservação do patrimônio municipal, se existe, quais são os critérios adotados, quem é responsável por fazer o levantamento e cadastro desses bens? Se ainda não existe, é possível criar uma estrutura para manter o nosso patrimônio local preservado e quais seriam os pontos chaves?
José Afonso: Não existe em nosso município uma política de preservação cultural local. Nossos políticos nunca se interessaram em criar leis que protegessem nosso patrimônio histórico. Infelizmente nossos políticos fazem vistas grossas para esse legado tão rico e valioso para nós, nossos filhos e as futuras gerações, que talvez não tenham o privilégio de vê-lo, de apreciá-lo. Pois a ignorância veda os olhos de nossos dirigentes, impedindo-os de ver a riqueza cultural de seus antepassados. Não existe em nosso município uma única lei que impeça o desmantelamento de nosso patrimônio cultural. De nosso casario histórico hoje já não existe nem um décimo do que existiam vinte anos atrás. Se não aparecerem políticos de boa vontade e que entendam e gostem de história e cultura, haverá sem dúvida o desaparecimento de todo nosso passado histórico e cultural, sobrando dele apenas pó.
Alunos: José Afonso, os estudos sobre o patrimônio imaterial ganharam impulso nos últimos anos. Quais os bens patrimoniais imateriais compõem o contexto cultural de nosso município? Existe registro destes bens culturais?
José Afonso: O patrimônio imaterial de nosso município é rico e diverso. Temos as folias de Reis, de São Sebastião, e de Nossa Senhora do Carmo, que percorrem todo o nosso município e a cidade de Morrinhos. Todas são antiguíssimas. A de Santos Reis e de Nossa Senhora do Carmo tem sua história desde o começo de Morrinhos, ou seja, desde 1833, data de sua fundação. Nosso amigo Sebastião Bento está fazendo um estudo minucioso da história das folias desde o seu nascedouro, com as primeiras famílias que se dedicaram a esta arte folclórica tão bela e tão rica. Segundo consta, as primeiras famílias que se dedicaram a essa arte folclórica em nosso meio foram as famílias Carlota, Izola e Laura, que foram repassando-a aos seus descendentes e graças a isso, até hoje continuamos assistindo a essa manifestação artístico-cultural tão importante para o nosso desenvolvimento humano. Temos ainda a Banda de Música Lira Santa Cecília que já conta mais de um século de existência e tem nos dado grandes músicos, com sucesso aqui em Goiás e no Brasil. Temos também o Coral Cidade dos Pomares que canta e encanta os morrinhenses e todo o Estado de Goiás. Temos também a Catira, com mais de um século de história, hoje representado pelo grupo de catira Cidade dos Pomares, que está sempre em evidência. Temos ainda a arte culinária, hoje tão bem representada pela dona Eterna Bernardino, com suas receitas de dar água na boca.
Alunos: Dentre o que é definido como patrimônio cultural em Morrinhos, você pode informar os caminhos dessa apropriação cultural? O que ou quem são retratados com ênfase na nossa cultura?
José Afonso: A nossa cultura retrata o homem do campo. O sertanejo, o bandeirante. A nossa memória histórica traz sempre a Entrada e Bandeiras, o paulista, o mineiro, o desbravador, o caçador de índios, que os caçava e os vendia como escravo. O descobridor de minas, que rasgava os sertões, se embrenhava nos rios, enfrentando doenças, toda sorte de animais e bichos peçonhentos, que perambulava pela selva anos e anos, alargava as fronteiras do Brasil, rompendo assim com o tratado de Tordesilhas, e que muitas vezes nem voltaria para os seus...
Retrata ainda a família Corrêa Bueno, para muitos, Bandeirante, que para aqui viera, fundara o Arraial de Nossa Senhora do Monte do Carmo, fincara raízes aqui e aqui trabalhara e morrera e nos deu a cidade, o povo e a história que temos hoje, tudo graças aos Corrêa Bueno.
Segunda Entrevista
Alunos: O patrimônio cultural brasileiro é um dos mais ricos do mundo, porém não existe uma política de inclusão ou de participação da população para conscientizar a todos da importância de preservar e entender a cultura brasileira. Pensando nesse aspecto, se cada cidade, cuidar e levar até a população local um pouco desse conceito é possível ajudar a preservar o patrimônio cultural brasileiro. Existe em nossa cidade, algum grupo ou órgão que busca levar até a comunidade o conceito e a importância de preservar e estudar a cultura brasileira?
José Afonso: Sim. Temos Academia Morrinhense de Letras, que zela pela preservação e divulgação da língua portuguesa e da cultura regional e nacional. Temos também a Sociedade de Arte Dramática e Literária que cuida do patrimônio cultural de nossa cidade. Temos ainda, a AMART, Associação Morrinhense de Arte, que cuida das artes plásticas de nosso município. Temos ainda o Conselho Municipal de Cultura, composto de treze membros, que tem o dever de zelar, divulgar e promover a cultura do município.
Alunos: Umas das maneiras de preservar o patrimônio cultural, contar a história de um povo seria os museus. A antiga cadeia municipal foi fundada recentemente pelo IPHAN como patrimônio histórico, e em 2004 foi transformado em museu municipal (Museu Antonio Correia Bueno). Existe uma política para se divulgar esse museu em nossa sociedade? Pesando numa ótica mais atual, é possível criar um arquivo histórico onde todos pudessem ter acesso fisicamente ou virtualmente aos dados históricos de nossa cidade e região?
José Afonso: O Museu Antonio Corrêa Bueno, fundado em 1996, conta um pouco da história de nosso município através de objetos de uso pessoal, mobiliário, fotos e documentos históricos, políticos e outros. Sua divulgação se dá mais nas escolas e universidades, tendo uma grande receptividade, pois o número de visitas anuais é muito grande. A divulgação se dá também em toda a comunidade morrinhense que o visita com assiduidade. Existe já um grupo de pessoas estudando a criação do Arquivo Histórico de Morrinhos, incluindo-se ainda o Museu da Imagem e do Som, o qual preservaria nossa história oral.
Alunos: Entre 17 de outubro a 21 de novembro de 1972, em Paris, foi realizada a CONFERÊNCIA GERAL da Organização das Nações Unida para a Educação, a Ciência e a Cultura. Um dos termos da conferência foi sobre a preservação do Patrimônio Cultural e Natural de todo o mundo. Depois de definirem os diversos tipos de patrimônios a serem preservados, ficou a cargo de cada nação, delimitar os seus próprios bens criando as políticas de preservação. Pensando numa mesma ótica, existe uma política local para a preservação do patrimônio municipal, se existe, quais são os critérios adotados, quem é responsável por fazer o levantamento e cadastro desses bens? Se ainda não existe, é possível criar uma estrutura para manter o nosso patrimônio local preservado e quais seriam os pontos chaves?
José Afonso: Não existe em nosso município uma política de preservação cultural local. Nossos políticos nunca se interessaram em criar leis que protegessem nosso patrimônio histórico. Infelizmente nossos políticos fazem vistas grossas para esse legado tão rico e valioso para nós, nossos filhos e as futuras gerações, que talvez não tenham o privilégio de vê-lo, de apreciá-lo. Pois a ignorância veda os olhos de nossos dirigentes, impedindo-os de ver a riqueza cultural de seus antepassados. Não existe em nosso município uma única lei que impeça o desmantelamento de nosso patrimônio cultural. De nosso casario histórico hoje já não existe nem um décimo do que existiam vinte anos atrás. Se não aparecerem políticos de boa vontade e que entendam e gostem de história e cultura, haverá sem dúvida o desaparecimento de todo nosso passado histórico e cultural, sobrando dele apenas pó.
Alunos: José Afonso, os estudos sobre o patrimônio imaterial ganharam impulso nos últimos anos. Quais os bens patrimoniais imateriais compõem o contexto cultural de nosso município? Existe registro destes bens culturais?
José Afonso: O patrimônio imaterial de nosso município é rico e diverso. Temos as folias de Reis, de São Sebastião, e de Nossa Senhora do Carmo, que percorrem todo o nosso município e a cidade de Morrinhos. Todas são antiguíssimas. A de Santos Reis e de Nossa Senhora do Carmo tem sua história desde o começo de Morrinhos, ou seja, desde 1833, data de sua fundação. Nosso amigo Sebastião Bento está fazendo um estudo minucioso da história das folias desde o seu nascedouro, com as primeiras famílias que se dedicaram a esta arte folclórica tão bela e tão rica. Segundo consta, as primeiras famílias que se dedicaram a essa arte folclórica em nosso meio foram as famílias Carlota, Izola e Laura, que foram repassando-a aos seus descendentes e graças a isso, até hoje continuamos assistindo a essa manifestação artístico-cultural tão importante para o nosso desenvolvimento humano. Temos ainda a Banda de Música Lira Santa Cecília que já conta mais de um século de existência e tem nos dado grandes músicos, com sucesso aqui em Goiás e no Brasil. Temos também o Coral Cidade dos Pomares que canta e encanta os morrinhenses e todo o Estado de Goiás. Temos também a Catira, com mais de um século de história, hoje representado pelo grupo de catira Cidade dos Pomares, que está sempre em evidência. Temos ainda a arte culinária, hoje tão bem representada pela dona Eterna Bernardino, com suas receitas de dar água na boca.
Alunos: Dentre o que é definido como patrimônio cultural em Morrinhos, você pode informar os caminhos dessa apropriação cultural? O que ou quem são retratados com ênfase na nossa cultura?
José Afonso: A nossa cultura retrata o homem do campo. O sertanejo, o bandeirante. A nossa memória histórica traz sempre a Entrada e Bandeiras, o paulista, o mineiro, o desbravador, o caçador de índios, que os caçava e os vendia como escravo. O descobridor de minas, que rasgava os sertões, se embrenhava nos rios, enfrentando doenças, toda sorte de animais e bichos peçonhentos, que perambulava pela selva anos e anos, alargava as fronteiras do Brasil, rompendo assim com o tratado de Tordesilhas, e que muitas vezes nem voltaria para os seus...
Retrata ainda a família Corrêa Bueno, para muitos, Bandeirante, que para aqui viera, fundara o Arraial de Nossa Senhora do Monte do Carmo, fincara raízes aqui e aqui trabalhara e morrera e nos deu a cidade, o povo e a história que temos hoje, tudo graças aos Corrêa Bueno.
Segunda Entrevista
Professora Jaqueline de Oliveira Lima - Membro da comissão para a implantação de um museu em Morrinhos.
Alunos: O patrimônio cultural brasileiro é um doas mais ricos do mundo, porém não existe uma política de inclusão ou de participação da população para conscientizar a todos da importância de preservar e entender a cultura brasileira. Pensando sob esta ótica, se cada cidade, cuidar e levar até a população local um pouco desse conceito é possível ajuda a preservar o patrimônio cultual brasileiro. Existe em nossa cidade, algum grupo ou órgão que busca levar até a comunidade o conceito e a importância de preservar e estudar a cultura brasileira?
Entrevistada: No município de Morrinhos o que existe é um museu em fase inicial, onde em determinado período da história o governo federal destinou verbas para implantação de museus, intuindo assim um resgate histórico de cada região brasileira, com isso a prefeitura da cidade se beneficiou deste projeto, porem não houve e não há uma política de continuidade de implantação e de manutenção deste bem histórico. Não só em Morrinhos, mas em várias cidades do interior a verba destinada há este setor é pouca e devido ao fato das pessoas que trabalham nestes órgãos não serem especializadas a elaboração de projetos para aquisição de verbas federais ou particulares não ocorre.
Na cidade centenária de Morrinhos o que há hoje mais contundente é um projeto inicial, de discussão entre a Universidade Estadual de Goiás – UnU Morrinhos e a sociedade organizada, objetivando resgatar e preservar a história de nossa cidade.
Esse projeto objetiva ainda conscientizar aos alunos da rede municipal e estadual da importância de preservar a história natural e cultural da presente cidade.
Alunos: Uma das maneiras de preservar o patrimônio cultural e contar a história de um povo seriam os museus. A antiga cadeia municipal foi fundada recentemente pelo IPHAN como patrimônio histórico, e em 2004 foi transformada no Museu Antonio Correia Bueno. Existe uma política para se divulgar esse museu em nossa cidade? Pensando em uma perspectiva mais atual, é possível criar um arquivo histórico onde todos pudessem ter acesso fisicamente ou virtualmente aos dados históricos de nossa cidade e região?
Entrevistada: Existem grandes possibilidades de criar um arquivo histórico para a preservação dos dados, porém para que isso ocorra é necessário que o governo municipal invista em um quadro de pessoal qualificado além do envolvimento da comunidade em geral, pois o povo é quem realmente conhece sua história e pode contá-la.
Este mesmo povo se incentivado pode além de fornecer as passagens históricas importantes que viveram ou herdaram de gerações passadas, eles podem fornecer os bens culturais que estiveram presentes em cada momento histórico para que possam ser visitados.
Para que isso venha a acontecer é preciso que em Morrinhos exista um curador de museu, que é quem tem capacidade de dizer o que é realmente história, esta pessoa também conhece a forma correta de organizar e expor as peças de um museu. Se soubermos valorizar nossa cultura e divulga-la o governo federal destina verbas para melhoria na questão da história e cultura, o que precisa é um passo inicial do governo local para que a cidade centenária de Morrinhos possa contar e mostrar a sua história.
Alunos: Entre 17 de outubro e 21 de novembro de 1972, em Paris foi realizada a Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Um dos termos da conferencia foi sobre a preservação do Patrimônio Cultural e Natural de todo o mundo. Depois de definirem os diversos tipos de patrimônios a serem preservados, ficou a cargo de cada nação, delimitar os seus próprios bens criando as políticas de preservação. Pensando numa nesta ótica, existe uma política local para a preservação do patrimônio municipal, se existe, quais são os critérios adotados, quem é responsável por fazer o levantamento e cadastro desses bens? Se ainda não existe, é possível criar uma estrutura para manter o nosso patrimônio local preservado e quais seriam os pontos chaves?
Entrevistada: Através dos dados levantados pela comissão que visa dar continuidade ao museu, foi possível constatar que não há uma política especifica e nem um profissional com formação na área capaz de realizar este processo.
Os pontos chaves envolvem a contratação de pessoal qualificado, resgate histórico e cultural, envolvimento da sociedade organizada ou não, envolvimento da Universidade Estadual de Goiás – Unidade Morrinhos, e projetos adequados para busca de financiamentos sejam eles governamentais ou públicos, para que tudo isto possa vir a acontecer e necessário antes de tudo uma participação efetiva do governo municipal.
Entrevistada: No município de Morrinhos o que existe é um museu em fase inicial, onde em determinado período da história o governo federal destinou verbas para implantação de museus, intuindo assim um resgate histórico de cada região brasileira, com isso a prefeitura da cidade se beneficiou deste projeto, porem não houve e não há uma política de continuidade de implantação e de manutenção deste bem histórico. Não só em Morrinhos, mas em várias cidades do interior a verba destinada há este setor é pouca e devido ao fato das pessoas que trabalham nestes órgãos não serem especializadas a elaboração de projetos para aquisição de verbas federais ou particulares não ocorre.
Na cidade centenária de Morrinhos o que há hoje mais contundente é um projeto inicial, de discussão entre a Universidade Estadual de Goiás – UnU Morrinhos e a sociedade organizada, objetivando resgatar e preservar a história de nossa cidade.
Esse projeto objetiva ainda conscientizar aos alunos da rede municipal e estadual da importância de preservar a história natural e cultural da presente cidade.
Alunos: Uma das maneiras de preservar o patrimônio cultural e contar a história de um povo seriam os museus. A antiga cadeia municipal foi fundada recentemente pelo IPHAN como patrimônio histórico, e em 2004 foi transformada no Museu Antonio Correia Bueno. Existe uma política para se divulgar esse museu em nossa cidade? Pensando em uma perspectiva mais atual, é possível criar um arquivo histórico onde todos pudessem ter acesso fisicamente ou virtualmente aos dados históricos de nossa cidade e região?
Entrevistada: Existem grandes possibilidades de criar um arquivo histórico para a preservação dos dados, porém para que isso ocorra é necessário que o governo municipal invista em um quadro de pessoal qualificado além do envolvimento da comunidade em geral, pois o povo é quem realmente conhece sua história e pode contá-la.
Este mesmo povo se incentivado pode além de fornecer as passagens históricas importantes que viveram ou herdaram de gerações passadas, eles podem fornecer os bens culturais que estiveram presentes em cada momento histórico para que possam ser visitados.
Para que isso venha a acontecer é preciso que em Morrinhos exista um curador de museu, que é quem tem capacidade de dizer o que é realmente história, esta pessoa também conhece a forma correta de organizar e expor as peças de um museu. Se soubermos valorizar nossa cultura e divulga-la o governo federal destina verbas para melhoria na questão da história e cultura, o que precisa é um passo inicial do governo local para que a cidade centenária de Morrinhos possa contar e mostrar a sua história.
Alunos: Entre 17 de outubro e 21 de novembro de 1972, em Paris foi realizada a Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Um dos termos da conferencia foi sobre a preservação do Patrimônio Cultural e Natural de todo o mundo. Depois de definirem os diversos tipos de patrimônios a serem preservados, ficou a cargo de cada nação, delimitar os seus próprios bens criando as políticas de preservação. Pensando numa nesta ótica, existe uma política local para a preservação do patrimônio municipal, se existe, quais são os critérios adotados, quem é responsável por fazer o levantamento e cadastro desses bens? Se ainda não existe, é possível criar uma estrutura para manter o nosso patrimônio local preservado e quais seriam os pontos chaves?
Entrevistada: Através dos dados levantados pela comissão que visa dar continuidade ao museu, foi possível constatar que não há uma política especifica e nem um profissional com formação na área capaz de realizar este processo.
Os pontos chaves envolvem a contratação de pessoal qualificado, resgate histórico e cultural, envolvimento da sociedade organizada ou não, envolvimento da Universidade Estadual de Goiás – Unidade Morrinhos, e projetos adequados para busca de financiamentos sejam eles governamentais ou públicos, para que tudo isto possa vir a acontecer e necessário antes de tudo uma participação efetiva do governo municipal.